Depois de algumas reflexões, considerei que nada mais eficiente do que usar e abusar do recurso da metalingüística para tornar clara a noção desse novo conceito que é a Web 2.0. Tendo isso em vista, optei pela entrega do trabalho a partir de um de seus mecanismos muito conhecido atualmente: a tecnologia dos blogs. E nada melhor para explicar um blog do que o próprio blog em si.
No seu surgimento, questionamentos foram feitos, muitos tiveram dúvidas a cerca de seu uso correto, do que seria permitido para conteúdo, qual era sua finalidade e todas essas inquietações que uma novidade traz.
Era o tempo em que os domínios grátis dominavam o conhecimento em rede, e que as possibilidades de formatação de páginas simples em HTML se expandiam tanto com os novos recursos da Microsoft, como o FrontPage (que eu, particularmente, usei bastante), quanto com as páginas pré-prontas onde você só precisava escolher as cores, conteúdos, etc.
Foi nesse “boom” de criação de páginas pessoais que todos começaram a ficar meio perdidos entre tantas opções e poucas definições. Qual era a diferença afinal entre um blog e um site de domínio grátis? O que fazer com todos esses recursos disponíveis ao mesmo tempo? Foi nesse período também que a rede mundial de computadores, acumulou o seu maior lixo de conteúdo. Viam-se páginas inúteis com GIF’s animados por toda sua extensão, abuso de mau gosto em diagramação de web sites e principalmente a precariedade em substância. Todos queriam dizer alguma coisa que não sabiam bem o que era, e resolveram utilizar os mais novos recursos para tentar dar voz a alguma coisa que nem sabiam bem em que consistia.
Mas atire o primeiro Byte quem nunca teve um site hospedado no HPG que não dizia quase nada de importante!
Esses surgimentos repentinos, porém, foram de grande ajuda para a interação entre o homem e o computador, este deixava de ser um objeto metálico estranho e complexo com combinações binárias, e passava a se tornar parte do dia-a-dia de todas as pessoas, que começaram a adaptar as suas vidas e situações e abriam espaço para incorporar os novos mecanismos nelas. Além de que, com essa familiaridade com as novas máquinas e suas funções, a utilização e navegação deixaram de ser um monstro no escritório e se tornaram simples e fundamentais. As pessoas aprendiam a mexer a partir do surgimento dos recursos que eram disponibilizados, o que tornava sua aprendizagem mais eficaz. Todos acabaram por se tornar autodidatas em computação, ou pelo menos em suas navegações mais simples. As siglas como HTML, PHP, JPEG, entre outras, deixaram de ser aberrações estranhas de abreviação e se tornaram conceitos e até conversas do cotidiano.
Era o início de uma revolução da informação. Pessoas interagiam com outras em todas as partes do mundo nas salas de bate-papo, faziam cadastros em sites de relacionamentos para procurar parceiros, criavam web sites personalizados com o que julgavam importante e por aí afora.
No meio desse emaranhado de coisas novas e sem funções bem estabelecidas, surgiam as dúvidas inquietantes desde a diferença de um blog, um site, e um diário virtual, por exemplo, até a dúvida na confiança em sites bancários ou com informações pessoais. Até as coisas simplificarem, esse processo evolutivo atingiu várias de suas fases em um curtíssimo período de tempo. Hoje parecem mais bem definidas essas noções, e menor a publicidade massiva que atingia a todos nós através de pop-ups e banners espalhados pela nossa querida ‘index’ do nosso site com hospedagem grátis. Hoje não há tanto esse uso abusivo de espaço para sites pessoais com poucas opções de navegação, os blogs vieram e se consolidaram como mais usados para essas funções de contato rápido e novidades instantâneas. O bom gosto passou a ser pré-requisito básico universal, por mais gritante e horrível que seja o layout de uma página, hoje, nada supera aquele excesso de pisca-pisca em banners por todo o site e GIF’s sem função nenhuma com bichinhos pra lá e pra cá.
E é justamente nessa evolução, que a Web 2.0 galga o seu lugar no espaço. A interação começa a se incorporar em todos os recursos disponíveis, a possibilidade de modificações, as novas tecnologias de respostas, o conteúdo colaborativo. Nesse novo conceito, os softwares largam a sua prepotência de absolutismo e perfeição e se tornam eternos betas, passíveis de modificações e aperfeiçoamentos, sendo alterado e melhorado inclusive pelo próprio usuário, que se torna construtor dos recursos junto com seus idealizadores, não é mais aquele surgimento de novos programas constantemente, o que há é uma melhoria gradativa nos que já existem.
A web 2.0 nada mais é do que uma mudança na visão do usuário dos recursos oferecidos, o ambiente de interação se torna mais íntimo, permitindo configurações pessoais como filtragens de informação, personalização das páginas comum a todos a partir de suas necessidades e preferências. O usuário não é mais atormentado com toda aquela informação inútil para ele piscando na tela, ele escolhe como navegar, e o que ver enquanto navega. Como, por exemplo, o site mais usado na atualidade, o Google, cada usuário pode escolher suas opções de links, personalizar o site de acordo com as suas demandas.
Nessa visão também surgem as famosas Tags, que agora também fazem parte do vocabulário cotidiano, que são como etiquetas organizadoras, onde você pode marcar um site, um texto, uma foto de acordo com o tema abordado por ele, facilitando assim a busca precisa do conteúdo desejado e uma melhor organização do mesmo. Um grande exemplo disso é o site del.icio.us onde os usuários guardam e compartilham seus links favoritos e ao invés dessa organização ser dada pelo site, os usuários que as definem.
Outras interações também se tornaram possíveis, como as marcações em fotos de outras pessoas com a possibilidade de comentários, como no site Flickr, um dos maiores portais de hospedagem de imagens.
E a diante de toda essa revolução de interação, os mecanismos de publicidade e marketing também se atualizaram e modificaram e passaram a fazer parte desse novo modo de encarar a web. Novas soluções foram criadas como o cross-media, que nada mais é que uma ação de interação, onde a sua divulgação pode começar em qualquer veículo informacional e acabar na rede com a participação do usuário. E as antigas soluções foram revitalizadas, os antigos banners deram lugar a novos banners com participação do usuário, onde são incorporados mini-jogos ou brincadeiras em flash, permitindo assim que você acesse o conteúdo do site após ’acertar a torta na cara do palhaço 3 vezes’, ou seja, essa jogada faz com que o site se torne inconsciente e conscientemente um prêmio no qual o usuário terá direito após terminar a brincadeira com sucesso. A partir daí é a criatividade do construtor que toma conta da sua forma de divulgação.
O'Reilly Media (quem criou o termo 2.0 juntamente com a MediaLivre International) sugere algumas regras
“O beta perpétuo - não trate o software como um artefato, mas como um processo de comprometimento com seus usuários.
Pequenas peças frouxamente unidas - abra seus dados e serviços para que sejam reutilizados por outros.
Pequenas peças frouxamente unidas - abra seus dados e serviços para que sejam reutilizados por outros.
Reutilize dados e serviços de outros sempre que possível.
Software acima do nível de um único dispositivo - não pense em aplicativos que estão no cliente ou servidor,
Software acima do nível de um único dispositivo - não pense em aplicativos que estão no cliente ou servidor,
mas desenvolva aplicativos que estão no espaço entre eles.
Lei da Conservação de Lucros, de Clayton Christensen - lembre-se de que em um ambiente de rede, APIs abertas
Lei da Conservação de Lucros, de Clayton Christensen - lembre-se de que em um ambiente de rede, APIs abertas
e protocolos padrões vencem, mas isso não significa que a idéia de vantagem
competitiva vá embora.
Dados são o novo “Intel inside” - a mais importante entre as futuras fontes de fechamento e vantagem
Dados são o novo “Intel inside” - a mais importante entre as futuras fontes de fechamento e vantagem
competitiva serão os dados, seja através do aumento do retorno sobre dados gerados pelo usuário, sendo dono de um nome ou através de formatos de arquivo proprietários.”
Comentário final e explicação do recurso utilizado
A partir de toda essa gama de possibilidades e novos recursos que fazem parte desse conceito 2.0, optei por utilizar a ferramenta do blog para expor esse texto, tanto para demonstração de seus mecanismos, quanto pelos seus recursos, para que fique bem definido esse conceito de interação que essa nova forma de navegar traz. O blog vai ser divulgado através de um link disposto no twitter (site de interação imediata onde cada postagem deve possuir apenas 250 caracteres, sendo possível sua execução até a partir de seu próprio celular), o link vai ser diminuído a partir do recurso do site tinyURL (que transforma qualquer link em um link menor para páginas que possuem restrições e limites máximos de conteúdos, como o próprio twitter). Dessa forma haverá uma navegação obrigatória por alguns desses recursos apresentados nesse texto, fazendo com que haja uma demonstração do mesmo.
Além de estarem indicados nos links desse blog, alguns dos sites que caracterizam essa web 2.0, haverá um post separado com algumas definições elaboradas pela Folha de S.Paulo.